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2 de setembro de 2012

Disbicicléticos

Faço aqui um convite para a reflexão...


Dani é uma criança que não sabe andar de bicicleta. Todas as outras crianças do seu bairro já andam de bicicleta; os da sua escola já andam de bicicleta; os da sua idade já andam de bicicleta. Foi chamado um psicólogo para que estude seu caso. Fez uma investigação, realizou alguns testes (coordenação motora, força, equilíbrio e muitos outros; Falou com seus pais, com seus professores, com seus vizinhos e com seus colegas de classe) e chegou a uma conclusão: esta criança tem um problema, tem dificuldades para andar de bicicleta. Dani é “disbiciclético”.

Agora podemos ficar tranqüilos, pois já temos um diagnóstico. Agora temos a explicação: o garoto não anda de bicicleta porque é disbiciclético e é disbiciclético porque não anda de bicicleta. Um círculo vicioso tranqüilizador. Pesquisando no dicionário, diríamos que estamos diante de uma tautologia, uma definição circular. “¿Por qué lá adormidera duerme?. La adormidera duerme porque tiene poder dormitivo”. Pouco importa, porque o diagnóstico, a classificação, exime de responsabilidade aqueles que rodeiam Dani. Todo o peso passa para as costas da criança. Pouco podemos fazer. O garoto é disbiciclético! O problema é dele. A culpa é dele. Nasceu assim. O que podemos fazer?

Pouco importa se na casa de Dani seus pais não tivessem tempo para dividir com ele, ensinando-lhe a andar de bicicleta. Porque para aprender a andar de bicicleta é necessário tempo e auxílio de outras pessoas.

Pouco importa que não tenham colocado rodinhas auxiliares ao começar a andar de bicicleta. Porque é preciso ajuda e adaptações quando se está começando.

Pouco importa que não tenha nas redondezas de sua casa, clubes esportivos com ciclistas que ele pudesse se relacionar ou amigos ciclistas no bairro que o motivasse. Porque para aprender a andar de bicicleta não pode faltar motivação e vontade de aprender. E pessoas que incentivem!

Pouco importa, enfim, que o garoto não tivesse bicicleta porque seus pais não puderam comprá-la. Porque para aprender a andar de bicicleta é preciso uma bicicleta. (Felizmente, os pais de Dani, prevendo a possibilidade de seu filho ser disbiciclético, preferiram não comprar uma bicicleta até consultar um psicólogo).

Transportando este exemplo para o campo da síndrome de Down, o processo é semelhante. Desde quando a criança é muito pequena, apenas um recém nascido, é feito um diagnóstico – trissomia do vigésimo primeiro par de cromossomos – por um médico especialista e verificado com uma prova científica, o cariótipo. A partir disso, entramos em um círculo vicioso onde os problemas justificam o diagnóstico que por sua vez é justificado pelos problemas.

Por que a criança não cumprimenta, não diz bom-dia quando chega nem adeus quando vai embora? “É que ela tem síndrome de Down”. Ah, bom! Achei que era mal-educada.

Por que a criança não se veste sozinha, tendo que sua mãe vesti-la e despi-la todos os dias, se já tem 8 anos? “É que ela tem síndrome de Down”. Ah, bom! Pensei que não a tinham lhe ensinado.

Por que continua a tomar mamadeiras se já tem 6 anos? “É que ela tem síndrome de Down”. Ah, bom! Imaginei que era comodismo de seus pais.

Por que a criança não sabe ler? “É que ela tem síndrome de Down”. Ah, bom! Pensei que não haviam ensinado.

Por que não anda de ônibus sozinha? “É que ela tem síndrome de Down”. Ah, bom! Pensei que não lhe permitiam fazer isso.

E assim, uma lista interminável de supostas dificuldades que, por estarem justificadas pela síndrome de Down, não necessitam de nenhuma intervenção, mas sim de resignação. Todas as suas dificuldades se devem a síndrome de Down.

Podemos estender a qualquer outra deficiência em que o diagnóstico médico ou psicológico pode ser utilizado como desculpa para nos eximirmos de responsabilidades. Se classificamos a criança como disfásico, disléxico, discalcúlico, disgráfico, discapacitado visual ou auditivo, mental ou motor, disártrico ou simplesmente disbiciclético, estamos fazendo algo mais do que ‘colocar um nome’ no que acontece com esta criança. Estamos criando expectativas naqueles que a cercam.

Por isso, eu sugiro que antes de comprar uma bicicleta para seu filho ou sua filha, comprovem que ele não é disbiciclético. Para que não coloquem dinheiro fora.


Emilio Ruiz Rodriguez (Psicólogo)

[1] Texto extraído da Revista Síndrome de Down 22: p. 73, 2005.

Traduzido do espanhol por Juliano R. Mombach

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E então? 
Será que não estamos nos acomodando nos diagnósticos para nos eximirmos das responsabilidades que temos para com as crianças? 
Será que não estamos nos acomodando no que é mais fácil e simples de lidar? Será que não estamos fechando possibilidades ao simplesmente acatar esses tipos de diagnóstico sem nem ao menos pensar sobre eles?


Vale a reflexão né não? 



7 de agosto de 2012

Mudando paradigmas na Educação...

Quem me conhece sabe que tenho um interesse genuíno pela educação e por suas potencialidades. Quando criança,  sonhava em ser professora, mas aí quando cresci decidi fazer psicologia, porém a educação sempre caminhou ao meu lado na universidade, apesar de muitas decepções ao longo da graduação, sempre acreditei na potência que a escola tem para a formação da pessoa como sujeito crítico e ativo.
De alguma forma, ingenuamente, eu acreditava que essa escola que temos hoje (com o modelo educacional atual), essa mudança seria possível de ser feita. Não que eu não acredite que não seja de alguma forma possível, afinal existem muitas pessoas boas trabalhando em escolas que se esforçam muito para que a escola realmente cumpra seu papel na sociedade e forme sujeitos pensantes. Porém, a maioria esmagadora ainda faz o oposto, cria sujeitos modulados, rotulados e "educados" para um mundo que oprime e reprime. Eis que estamos em um círculo vicioso: a escola modula a pessoa para uma sociedade que mantém a escola moduladora.
Por essas e outras que ao longo de discussões, práticas e leituras sobre o assunto, cheguei a conclusão que para que a escola tenha êxito em formar sujeitos pensantes é necessário que ocorra uma verdadeira Reforma Educacional, penso que deva ser algo ao estilo Escola da Ponte, com mudanças radicais na estrutura e na forma de produzir e lidar com o currículo escolar. Uma escola que não vise formar pessoas para uma sociedade opressora, mas que mantenha a criatividade e forme sujeitos que possam trazer mudanças para essa sociedade. Utopia? Talvez. Mas encontrei no mundo real e cibernético outras pessoas que pensam como eu e estão fazendo apontamentos e chamando a atenção da sociedade para o que está naturalizado em relação a educação.
Encontrei um blog que propõe, além de uma educação diferenciada da que temos atualmente, educar crianças fora da escola, essa escola que castra criatividade, imaginação e a infância e simplesmente modula. E foi neste blog que encontrei o vídeo que vou postar agora. Um vídeo imprescindível para quem se interessa de alguma forma pela educação e acredita que precisamos de mudanças para que a sociedade de fato mude. Ele, é de um especialista em criatividade e educação e nos mostra quais mudanças que devem ser feitas na educação, que ele acredita que "mate" a criatividade.


E aí que eu me pergunto, é possível mudar a sociedade com a educação? É realmente possível obter mudanças eficazes para a sociedade com este sistema educacional que temos hoje? São as perguntas que não querem calar em meus devaneios...


" (...) A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, 
eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"

(Rubem Alves - A complicada arte de ver)

25 de julho de 2012

Gabriela e a ótima oportunidade para discutir sobre o machismo e discriminação de gênero.

Eis que estou aqui de bobeira, já de pijamas, no meu sofá mexendo na internet e olhando e-mails; a TV está ligada, na Rede Globo e começa a novela/minissérie (ainda não entendi exatamente do que se trata), Gabriela.
No capítulo de hoje mostrou, basicamente,  o drama (acho legal falar assim em relação a personagens de novelas haha) da personagem Lindinalva (Giovanna Lancelotti) sendo discriminada em toda cidade por ter perdido sua virgindade com seu noivo e ainda não ser casada. Até onde pude entender pelo correr das cenas, Lindinalva foi abusada pelo noivo, que forçou relações com ela, mas quando a história se espalhou pela a cidade a "culpa" ficou sendo apenas dela. E aí eu ouço, na novela, frases como: "Meu neto é homem, você que não devia ter cedido." "A culpa é sempre da mulher." Ao ouvir isso, sinto urticárias (sério!). Ok, você pode vir com o argumento: é só uma novela, é ficção. Sim, é ficção, mas de certa forma, é nossa história também. Vamos contextualizar o assunto, para eu conseguir chegar onde quero com esse lero lero todo:
Essa novela é baseada no livro Gabriela, Cravo e Canela de Jorge Amado, a história se passa em meados da década de 20, em Ilhéus, Bahia, época do auge no cultivo do cacau. Tempo de coronelismo, onde mulheres não tinham voz nem vez e eram claramente discriminadas, diminuídas e reprimidas, até mesmo pelas próprias mulheres. Caso você não tenha muita noção de como era isso, basta assistir a novela um dia você vai perceber do que estou falando.
Não estou aqui querendo fazer propaganda para a novela, longe disso, afinal sei que existe muito preconceito com novelas globais, apesar das surpreendentes popularidades das mesmas. Ninguém gosta de novelas, mas todo mundo assiste, é tipo BBB. Mas o que quero trazendo a novela Gabriela como exemplo é suscitar discussão, uma discussão que achei bastante pertinente de ser feita depois de refletir sobre o assunto.
E aí eu chego onde gostaria de chegar: Gabriela apresenta a nós uma boa oportunidade para pensarmos e refletirmos sobre um assunto muito importante: o machismo e discriminação de gênero em como este influenciou e ainda influencia (e muito) a sociedade até os dias de hoje, pois continuamos vivendo em uma sociedade machista, preconceituosa que coisifica a mulher ao mesmo tempo que a repreende. Sabemos muito bem que essa discriminação de gênero não nasceu ali, na década de 20, naquele espaço e tempo específico, e que é uma herança histórica de séculos, e por isso acho que não me assusto tanto com o fato de não ter mudado quase nada dessa época retrógrada pra cá. Pois, da mesma forma ocorre com o preconceito com negros (também conhecido como racismo), que é secular e até hoje a sociedade não conseguiu se livrar totalmente dele. A humanidade leva tempo para progredir... Ok que no Brasil esse tempo demora um pouquinho mais, mas tenho fé... um dia muda.
Contudo,é importante salientar que quando eu digo que não me assusto com o fato de não ter havido muitas mudanças nesse sentido, não quero que pensem, em hipótese alguma, que isso seja sinônimo de achar toda essa situação natural, normal. NÃO! Eu definitivamente não acho machismo natural, muito menos normal, e por isso minha indignação. E é exatamente neste ponto que eu quero chegar com os meus devaneios sobre o assunto. Não é "normal" naturalizar esse assunto, não é normal achar que a mulher de fato é "menos": vale menos, merece menos que o homem. Não é normal e eu diria mais, é misógino. E é sobre isso que estou propondo que pensemos, um pouquinho mais. E se, por acaso, ainda pensam que isso é normal, ouso então em citar Manoel de Barros quando ele diz: "Desfazer o normal há de ser uma norma." e que assim seja! Bora desfazer esse "normal".
Não é difícil ainda encontrar, e não são poucos os casos, de mulheres sendo discriminadas, recriminadas e culpabilizadas por terem sofrido abuso sexual, "tava de saia curta, pediu para ser abusada". Sim, frases como estas, bem parecidas com as da novela ditas da década de 20, são pronunciadas em alto e bom som em pleno século 21. Se isso não é um retrocesso, eu não sei mais o que é.
Sei também que devemos reconhecer que de algum tempo para cá as coisas vem evoluindo consideravelmente e que, por mais que ainda haja resistência, as mulheres estão lutando muito por sua libertação e por um mundo menos machista. Graças a todos os santos, orixás e a nós, mulheres que lutamos muito por isso, há algum tempo já podemos votar e temos consideravelmente mais voz do que há décadas atrás. Todavia, a mulher ainda sofre e muito com um tipo de preconceito que, em minha opinião, tem sido o mais difícil de lidar: repressão e discriminação sexual. Digo mais difícil, pois ele ainda existe entre as próprias mulheres e não só dos homens em relação a elas. As mulheres ainda corroboram com toda a teoria machista da mulher em relação ao sexo, seja em que sentido for. Por isso, que penso que ainda temos muito o que caminhar até chegar em uma equidade de direito de gêneros de fato!
Em pleno ano de 2012, as mulheres não podem gostar de sexo, as que assumem gostam são consideradas putas; mulher não pode usar qualquer tipo de roupa, as que usam saia/roupas curtas também são putas (assim como na década de 20, só mudava a denominação: eram quengas). Mulher que trai o marido é puta, homem que trai a esposa é garanhão, pegador, é colocado em um pedestal. Tal e qual no tempo dos coronéis do Bataclã de Gabriela. E, ao meu ver, o pior de todos: mulher é estuprada porque quer, olha as roupas que ela usa...olha a forma que ela age. PeloamordeDeus! Eu ainda não consigo compreender como pode existir pessoas que pensam dessa forma. Na verdade consigo, afinal, temos muita herança para que pensemos assim, mas o fato de "nosso passado nos condenar" não significa que não podemos nem devemos mudar e evoluir nosso pensamento. Vamos pensar um pouquinho minha gente, onde é que tudo isso faz sentido? Porque é que tudo isso até hoje faz sentido na grande massa? Na minha humilde opinião a resposta é simples: pouca discussão sobre o assunto. As pessoas tem uma mania feia de reproduzirem o que ouvem sem nem ao menos passar por um filtro. Não se pensa sobre o que se diz e o que se faz, não se reflete. Nada se cria, tudo se copia... e assim vamos caminhando, com pensamentos retrógrados, machistas e muito preconceituosos.
Então vos pergunto, será mesmo que evoluímos muito de décadas atrás para cá? Será que as mulheres atualmente estão realmente livre dos rótulos, diminuições e repressões de anos atrás? Particularmente tenho minhas dúvidas.
Mas, porém, contudo, todavia e entretanto, para nossa alegria (hehe) existem muitas mulheres (e muitos homens também, não coloco todos no balaio não) que não se conformam com essa repressão e discriminação insana e andam se mobilizando por aí... mundo a fora, tentando mudar de alguma forma esses estigmas que pairam sobre nós. Em resposta a esse machismo e discriminação contra a mulher surge a Marcha das Vadias
Como você mesmo/mesma pode ler aí no link da Wikipédia, a marcha surgiu no Canadá contra a ideia de que mulheres provocam seus estupros por se vestirem feito "vadias" (sim, pode acreditar que isso foi dito por um policial sobre uma menina que foi estuprada e estava de roupa curta). Não demorou muito para a manifestação ganhar o mundo né, as mulheres estão há (muitos) anos com o grito de "liberdade ou morte" engasgado. E aí foi como soltar uma faísca e um campo cheio de querosene... as mulheres gritaram, encheram as ruas, pintaram cartazes e os corpos para dizerem para quem quiser e não quiser ouvir: Somos livres!
E aí que  com todas essas atitudes ativas das mulheres em relação as situações inferiores que são impostas a elas, surge a pergunta que não quer calar é: será que a partir de agora as coisas vão mudar da água para o vinho para as mulheres? Eu, particularmente, tenho minhas sérias dúvidas, como disse lá em cima, a sociedade progride "a passos de formiga e sem vontade".Mas, ao mesmo tempo, sei também que essa práxis (ação/reflexão) já foi um bom começo... afinal, temos que começar de algum lugar não é? E então vamos lá, rumo ao respeito genuíno pelas mulheres, rumo a liberdade de fato, principalmente, rumo a democracia em relação a nos... no sentido lato da palavra.



O que eu gostaria com esse post é semear como é interessante e importante pensar, de onde vem nossas heranças para compreender algumas situações atuais, entender a história para compreender onde ela culmina atualmente. E principalmente mostrar um pouco, como esse machismo exacerbado apresentado na novela Gabriela fez e infelizmente ainda faz parte de nosso cotidiano, mas que de alguma forma, já tem muita gente empenhada em mudar a situação. Que assim seja, amém!



Obs: Não costumo dizer que sou feminista, acho que para se considerar como tal é necessário uma postura e comprometimento muito maior do que eu tenho atualmente, mas principalmente, porque eu não sou muito fã dos rótulos. Mas sou sim, uma defensora assídua dos direitos das mulheres, e assim pretendo continuar. Caso você tenha curiosidade de ler uma feminista de verdade falando (ou melhor, escrevendo), sugiro Escreva Lola, escreva.... que é o blog de uma professora da Federal do Ceará que, escreve muito melhor do que eu  sobre gêneros, minorias e suas discriminações.

10 de julho de 2012

"Guest Post": Sobre o excesso de diagnósticos psiquiátricos e prescrição de psicofármacos a crianças.

Este texto que estou postando hoje, acabei de ler na página no Facebook da blogueira Ligia Sena (o texto é dela).  Por se tratar de um assunto muito presente na área que escolhi trabalhar (afinal, tem MUITO psicólogo contribuindo para essa medicalização desmedida em crianças), e que me capta, me interessa a discussão e os questionamentos sobre. Eu compartilho em absolutamente tudo o que está escrito, por isso, achei interessante postá-lo na íntegra, fazendo minhas as palavras de Ligia. Com isso, fiz deste, um "guest post" (entre aspas, já que ela não fez o texto exatamente pro meu blog), uma vez que a autora mesma me disse que o texto era de domínio público, então me senti no direito de me apropriar e compartilhar. Leiam até o final, precisamos pensar, refletir e questionar sobre que infância é essa que estamos ajudando a construir.

"Estamos falando sobre a medicalização da infância e o excesso de diagnósticos psiquiátricos – como a hiperatividade e o déficit de atenção – e de prescrição de psicofármacos, como o metilfenidato. 
Qualquer pessoa que compartilhar a informação de que o comportamento “inadequado” de uma criança pode estar associado a um transtorno psiquiátrico está contribuindo para a psiquiatrização da infância e de comportamentos absolutamente normais, está contribuindo para que nossas crianças sejam vítimas do abuso de fármacos.
Vamos falar então de "crianças que precisam de medicamentos psicotrópicos de fato". Será que elas existem? Em anos de estudo, pesquisa, interesse e aulas ministradas sobre tema, tive contato com muitas crianças diagnosticadas como hiperativas e medicadas. E todas - eu disse TODAS - estavam sendo medicadas em função dos desejos, ainda que não manifestos, de seus pais, educadores e outros profissionais. Para a pergunta: "Por que você o levou no psiquiatra?" ou "Por que ele está sendo medicado?" as respostas mais comuns - muitíssimo comuns - são: "Porque ele estava me deixando louca!", ou "Porque ele não se adaptava à escola de jeito nenhum", ou "Porque ele não parava quieto", e afins. 
Nenhum desses motivos representa qualquer indicativo de transtorno mental. 
É preciso SEMPRE lembrar que ser diagnosticado com hiperatividade É TORNAR-SE UM PACIENTE PSIQUIÁTRICO. Aquela criança, que já é vista como problemática, de uma hora pra outra passa a ter um TRANSTORNO MENTAL, passa a ser um PACIENTE PSIQUIÁTRICO. 
Vamos pensar no que isso pode causar à autoestima dessa criança, desse adolescente? Vamos pensar o que se tornar dependente de medicação tarja preta (que é uma droga psicotrópica) fará com essa criança? O estigma que vai acompanhá-lo? As alterações neuroendócrinas? E por que? Porque ele era ativo demais, agitado demais, dava trabalho.
Quando dizermos "ativo demais" estamos comparando-o a outras crianças, ditas "normais". O que é a normalidade? Para mim, normal é ver criança ativa, não criança dopada. 
Não há um consenso do que seja a normalidade. Eu sou normal, você é normal, e somos muito diferentes. E por que somos diferentes um precisa de medicação e o outra não? 
E se eu, que sou muito agitada, tenho pais que sabem lidar eficientemente com minha agitação? E se eu estou em uma escola que respeita minhas diferenças? Eu escapo do medicamento psicotrópico. Mas se eu não tenho nada disso, então serei medicado para me enquadrar numa normalidade que não existe. Sofro muitas vezes: uma vez por não contar com condições que acolham minha diferença (pais e escola preparados), outra vez por ser rotulado psiquiatricamente, outra vez por ser medicado e ter todas as minhas funções mentais alteradas (porque é isso o que faz uma droga que age no cérebro), e outra vez porque me tornarei dependente (sim, me tornarei), e mais uma vez no futuro quando, afastado da medicação, eu não souber lidar com minha agitação, com minha diferença, apenas porque ao invés de me ajudarem a lidar com ela, me medicaram. 
Falando de evidências científicas, existem artigos experimentais mostrando que o uso de metilfenidato na infância (a Ritalina, Concerta e afins - olha o nome, Concerta... como se estivesse quebrado) predispõe ao abuso de álcool na idade adulta, principalmente no sexo feminino. E outros ainda afirmam que o diagnóstico de hiperatividade na infância está associado ao diagnóstico de depressão no futuro. Não precisamos recorrer ao cérebro pra entender como a hiperatividade se transformou em depressão, basta entender o que viveu essa pessoa a ponto de ter se tornado deprimido. Mas recorrendo ao cérebro, a mudança que a droga promove pode mesmo disparar um gatilho desconhecido e, no futuro, causar um outro transtorno psiquiátrico. 
Vamos falar de história? Por que a descoberta desse transtorno é tão relativamente recente? Porque hoje temos drogas que controlam esse comportamento. Então, em termos bem gerais, o metilfenidato não cura ninguém, não trata ninguém. Ele só MODELA a criança, a pessoa, ao que esperam dela. É como se, tendo febres fortes recorrentes, apenas déssemos antitérmico a vida inteira, sem saber o porquê da febre. Por que uma criança é agitada? Por que ela está com dificuldades de adaptação? Como canalizar a agitação? Como ensiná-lo a lidar com isso? São perguntas que cujas respostas necessitam de uma postura ativa. Que nem sempre existe... 
Quem trabalha nessa área diz que o Calvin (aquele personagem, amigo do Haroldo) é o símbolo da criança dignosticada como hiperativa. E que criança interessante! Além de ser agitado, Calvin é questionador, problematizador, respondão e arteiro. Coisas de criança saudável, muito saudável, não doente. E já notaram como são seus pais? Entediantes, rabugentos, nunca brincam com ele, estão sempre alheios, em suas atividades, sempre criticando ou gritando com ele. Isso não é coincidência. 
Em uma das tirinhas, Calvin aparece sendo medicado: ele não brinca mais, não cria mais, não é mais interessante e sua imaginação foi morta – representada pelo desaparecimento do amigo imaginário, seu bicho de estimação Haroldo, que em condições normais tinha vida. É isso o que acontece com crianças medicadas com modeladores do comportamento.
O dia em que encontrar uma criança que realmente tiver um transtorno como esse, a ponto de conseguir ver nele um paciente psiquiátrico, poderei rever essa posição. 
Eu ainda não encontrei essa criança. Embora já tenha encontrado tantas medicadas..."

4 de julho de 2012

Sobre sonhos e utopias...


Há tempos busco por meu lugar no mundo (este blog faz parte de uma destas tentativas). E este buscar, significa encontrar meu nicho, algo com que faça sentido com o que penso e acredito. Um lugar onde eu possa ser o que quero ser e não o que o mundo quer que eu seja. Um lugar onde o que eu penso, sinto e acredito sejam respeitados.
O título do meu primeiro post sobre "peixe fora d'água, borboletas no aquário" tem um pouco haver com isso pois, muitas vezes é como eu me sinto nesse mundão de meu Deus, uma pessoa fora do lugar, ou então um lugar fora da pessoa. 

Pois, pense comigo: alguém simpatizante de esquerda, que acredita nas pessoas e em suas capacidades de serem mais do que elas são, principalmente quando há mediação de outros; que não acredita em situações postas e dadas como imutáveis e  enxerga a importância do contexto histórico na vida de qualquer sujeito; que acredita que a ciência não tem a verdade/sabedoria absoluta do universo e que outros conhecimentos acrescentam tanto quanto ela; que acredita na importância de estar atento ao outro de forma genuína, respeitando-o em suas escolhas; que acredita no poder da conscientização e da dialética da vida, uma vez que construímos nossos caminhos a cada dia; e principalmente, que acredita que, para que esse mundo comece a ser um pouquinho melhor, basta apenas começarmos a olhar mais para as pessoas e menos para as coisas (e seus valores).
Pessoas assim, na maioria das vezes são apontadas como sonhadoras, românticas e utópicas. E talvez eu seja tudo isso mesmo (e mais um pouco). Mas, há de concordar comigo que, não é tão simples quanto parece, para alguém que pense desta forma, conseguir se "encaixar" em um sistema, em que o que se prega justamente o contrário. É difícil ser o peixinho que rema contra a maré. Uma maré grande e assustadora. É difícil, mas não impossível. Não é impossível, quando não estamos sozinhos, quando somos cardumes.
E por isso que, espero encontrar um espaço em que eu possa dizer o que penso e ser respeitada por isso. Que seja possível travar discussões (inclusive de ideias contrárias) e que todos possam crescer com isso, sem que discussões virem verdadeiras guerras ideológicas. Busco por um lugar mais tolerante e flexível, que incentive as diferenças e não as discrimine.
Um lugar onde as pessoas possam ser o que elas desejam ser. E que as crianças ainda tenham espaço para imaginar e sonhar.
Busca constante por mais arte e mais  experiências estéticas. Onde seja possível suspender os sentidos e parar para refletir.
Lutar por uma sociedade que pense mais e obedeça menos, que escute mais e julgue menos, que se conscientize mais e acate menos, que viva mais e exista menos.
Sonhos? Utopias? Talvez. Mas eu acho tudo isso um motivo bom o bastante para se lutar:  lutar pela arte da vida e por mais arte na vida.
E como uma forma de resumir e finalizar artísticamente tudo isso que estou dizendo, posto aqui o poema de um grande amigo e colega de profissão, Diogo Rezende, e posso dizer que o incluo neste cardume que sei que existe, de pessoas que ainda acreditam em algo melhor do que temos hoje.
Coloco este poema, pois se encaixou feito luva com este texto e também com o que espero e acredito.
Eu gosto particularmente disto, da forma como a arte diz, de um jeito muito mais orquestrado, tudo aquilo que gostaríamos de dizer.

Considerações profissionais


quando crescer quero ser ninguém

ser um grande nada

nadar sem pressão atmosférica

galgar alcançar o vácuo
e sempre ter a sensação de vazio.
completude não completa.

vou viver de poesia
e a poesia sim,
vai transformar o vil metal
em gotas de pano
que pingam em meus olhos,
e me vendam para a vida privada
mas imputam cores macias
para deliciosas e imprevistas possibilidades.

vou ser um ser humano profissional
técnico do amor
especialista em minha amante
doutor em compartilhar risadas no escuro do quarto
phd em carinhos e carícias no monótono domingo.

quero ser uma pessoa em espiral
que sobe em círculos rumo a felicidade
a ovelha utópica desgarrada,
rasgada
que vai deixar de servir o servente
e mostrar que praias e temperos
não são nada sem o tato,
só o tato faz ver e sentir o gosto da vida.

o paladar. o mar.
uma pitada de sal.



E assim finalizo, dizendo que quero continuar sendo a ovelha utópica desgarrada, rasgada.


* Tradução da foto: Não tenho medo que o mundo acabe em 2012... tenho medo que ele continue sem mudar nada.

28 de junho de 2012

Geral merece Cícero!



Simplesmente porque geral merece Cícero! Esse moço faz aquele tipo de música que não tem muito como explicar, é daquelas que só se sente ouvindo. E eu senti que era o tipo de coisa que merecia vir para o blog (Se geral merece Cícero, porque meu blog não? Ora essa!). E por ser uma ótima forma de exemplificar, para quem ainda não soubesse, do que se trata as músicas do tipo "poesias cantadas" as quais falo ali no meu "Quem sou eu". É uma das bonitezas que se acha por aí, boniteza de se ouvir. 

Enfim, deleitem-se.
"Eu vou te acompanhar de fitas

Te ajudo a decorar os dias
Te empresto minha neblina
Vamos nos espalhar sem linhas
Ver o mundo girar de cima
No tempo da preguiça
Mas tudo bem

O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo"
(Tempo de Pipa - Cícero)

25 de junho de 2012

Que tipo de professores/educadores estamos formando?

Navegando pela internet hoje, verificando e-mails, notícias e afins, me deparei com a seguinte manchete no G1: Professora sugere que pais usem cinta e vara para educar aluno
Minha primeira reação foi o espanto. Claro! É um tipo de notícia por mais corriqueira que tem sido ultimamente, é algo que nunca esperamos ler. Pelo menos eu, na imensa fé que ainda tenho no ser humano, não espero. 
Pois bem, mas passado o primeiro "susto", parei para refletir sobre o assunto: Que professores são esses que estamos ajudando a formar neste país? Que educadores são esses que sugerem agressão contra uma criança?
E assim, neste movimento de indignação continuei a ler o artigo, e conforme dou andamento a leitura minha indignação só faz aumentar e me fazendo questionar cada vez mais: é essa educação que queremos dar para o "nossos futuros"? É o que esperamos para estas crianças que, amanhã, estarão no poder, na política e nas escolas? É isso que queremos que eles aprendam? Que raio de educação é esta que deseduca?
E então, me lembrei de um livro que estou lendo que se chama Filosofia para a Formação da Criança da Paula Ramos de Oliveira (excelente, diga-se de passagem), que já no primeiro capítulo problematiza diversas questões do nosso sistema de educação atual, dentre estas, ela apresenta sua percepção desta educação que deseduca, com pode ser observado no trecho a seguir: "(...) vemos que a concepção positivista da educação explicita suas mazelas por um fazer pedagógico que muito mais deseduca do que educa: trata-se da deseducação travestida, fantasiada de educação."¹
E foi com esta citação em mente que continuei a ler o texto do G1. E lá diz que professora sugere as tais varadas e cintadas para educar o garoto, pois ele tem apresentado comportamentos inadequados em sala de aula. Só de ler a palavra "inadequado" outra enxurrada de perguntas, questionamentos e indignação tomaram conta do meu balãozinho do pensamento: comportamento inadequado? Inadequado para quem? O que é ser adequado em sala de aula? E se é, é adequado para quem? 
Todas essas questões (e mais algumas) perpassam toda minha formação enquanto futura psicóloga e deveria, caso não aconteça, fazer parte da formação de pedagogos. Questionar. Questionar sempre. Parar de agir sem antes pensar no "que" e "como" fazer/falar/agir. Penso que, para além de lutar por melhores condições de salários e melhores remunerações para os professores, temos também que lutar para melhor qualidade dos cursos de Pedagogia do país. 
Esta professora, está agindo desta forma não é porque ela é uma pessoa má, uma pessoa ruim e que nasceu assim e vai ser para sempre assim (como a Gabriela). Não. Ela está assim e se está assim, é porque em algum momento na vida dela ela aprendeu a agir assim. Provavelmente em algum momento da vida dessa educadora, ela aprendeu que o jeito de lidar com uma criança é silenciando e humilhando. 
A culpa não é dela, a responsabilidade pelos atos sim, mas a culpa não. A culpa é de um sistema educacional defasado. Sistema que tem apenas o interesse de manter o status quo  e que faz com que, ao longo de toda vida de um sujeito este, saia  da escola sem aprender o que realmente importa: respeito e pensar. E que quando este, decide, por ventura, ser professor, em seu curso universitário nada muda. Continuam com aulas estáticas, lineares, onde se buscam modelos e padrões e recusa as diferenças.
Não há reflexão, e se há, ainda é muito pouca. Não ensina-se a pensar, ensina-se a obedecer. E é contra isso que precisamos lutar. Contra essa educação que deseduca, contra essa formação que estimula a violência e a resolver as coisas no grito. Que ensina que é assim que se resolve as coisas, na base da "cintada" e "varada", ao invés de ensinar a questionar, a fazer perguntas, a negociar sentidos e, principalmente, a respeitar o outro, seja ele quem for.
E para começar a mudar este quadro, eu pego emprestada a citação de uma grande amiga minha, Carol, que defende a ideia de que devemos "sair da roda"², ou seja, quebrar esse circulo vicioso que o sistema insiste em nos afundar, como em areias movediças. Precisamos começar a mudar, pois como eu já disse, as coisas estão assim, mas elas não precisam ser para sempre assim, elas podem e devem ser mudadas.
E você poderia me perguntar: mudadas como? E eu, na humildade legítima da minha pouca experiência te digo: mudando com nossos pequenos comportamentos cotidianos, principalmente com crianças, começando por tratá-las como sujeitos de si, que têm voz e merecem respeito. E principalmente, agindo de forma diferenciada e consciente. Ao invés de gritos, conversas; ao invés de agressão física, questionamentos e construção conjunta de sentidos. Criando mudanças principalmente nas escolas, precisamos de escolas que eduquem, simplesmente. Ensinar a pensar e não a obedecer docilmente sem refletir sobre, ensinar o respeito a partir do exemplo, ou seja, tratando com respeito. Precisamos começar de algum lugar a fazer deste país um lugar mais decente, e esse começo, eu acredito que seja pela educação.

E a grande Mafalda para ilustrar.

Ps: No momento, não pretendo nem entrar na questão da medicalização desta criança, que foi encaminhada a psiquiatras e psicólogos simplesmente por que a escola não tem feito seu papel. Teremos (muitas) outras oportunidades para discutir sobre isso. Infelizmente.

¹Oliveira, P. R. Filosofia para a Formação de Crianças. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. p.4

² Este termo não foi usado exatamente neste sentido quando ouvi/li a Carol dizer, mas senti que coube neste contexto e fez muito sentido e por isso peguei emprestado.

"Muito prazer, meu nome é otário. Vindo de outros tempos, mas sempre no horário, peixes fora d'água, borboletas no aquário."




Alguns pensamentos  andam me cercando há alguns dias, dentre eles: Porque não fazer um blog? E aí, como de costume, vieram as enxurradas de outras perguntas que, quase sempre, acompanham minhas decisões (quando elas acontecem, é claro): Mas um blog para quê? Escreveria o quê nele?  E, pensando sobre elas, aos poucos, fui tentando responder essas perguntas, e fui chegando a algumas conclusões nem tão conclusas assim.
Atualmente, estou em um momento da minha vida, do qual eu não previa, mas temia, (apesar de entender a necessidade e importância):  a greve na educação que chegou à minha universidade (assim como em outras 54 Universidades Federais do país.) Digo que temia, pois, estando no lugar de uma universitária que terminava seu penúltimo período do curso (sim, eu me formaria no final do ano), esta ideia me parecia bastante assustadora, mas agora, de alguma forma, já superei isso, aceitei e apoiei a causa e agora luto e espero (do verbo esperançar  de Paulo Freire) que tudo se resolva da melhor forma possível.
Enfim, estando eu, nesta circunstância, ultimamente tenho tido mais “tempo” para ler certas coisas que eu acabava deixando de lado, por não ter tempo hábil para ler, dentre as enxurradas de atividades acadêmicas ao longo dos semestres letivos. Entre estas leituras, encontram-se: outros blogs, textos acadêmicos e não acadêmicos, tirinhas, poesias e livros diversos que, no momento, vão de Adriana Falcão a Paulo Freire, com intervalos para algumas leituras virtuais de Manoel de Barros.
Logo, a partir destas leituras e algumas situações cotidianas, tenho refletido, divagado e dialogado com diversos temas que têm me dado vontade de falar mais sobre eles, e até então eu não tinha um espaço específico para isso (já que minhas redes sociais já não eram suficientes), foi então daí que começou a surgir a idéia: por que não um blog? Afinal, este seria um bom espaço para exercitar a minha escrita, organizar meus pensamentos e falar de coisas que me derem vontade.
Mas aí me veio um fantasma que, acredito eu, acompanha muitos blogueiros (ou não, vai ver isso é neura minha mesmo): a exposição. Será que consigo lidar com ela? Será que vai ser “tudo bem” para mim escrever coisas que o mundo (exagerada, sempre!) poderá ler, me julgar e criticar (positiva ou negativamente)? Acredite,  isso não costuma ser nada tranquilo para uma pessoa que costuma se importar até demais com a opinião alheia sobre si, mas sendo eu, alguém que também  está seriamente disposta a mudar esta situação, talvez um blog fosse um bom começo. Então decidi, aqui está ele.
Portanto, com decisão tomada e blog feito, creio que devo esclarecer algumas cositas para quem sentir vontade de lê-lo, como, por exemplo, neste blog não haverá muitas regularidades, será sempre um blog em construção (assim como sua dona e seu sub título), sendo assim, não prometo temas, dilemas ou conclusões específicas. Falarei, ou melhor, escreverei por aqui o que me der na telha e, quando me der na telha, isso é uma informação importante, pois, apesar do blog se chamar “devaneiosmeusdecadadia” isso não pretende ser uma regra, assim como meus próprios devaneios não são.
Acontece não quero me sentir presa a uma ferramenta que estou criando para devaneios, divagações e diálogos recorrentes entre mim e o mundo, conforme eles vão acontecendo. Não quero me sentir presa a algo que estou criando como uma forma de libertação de mim mesma, da minha escrita e das minhas ideias. Por isso, e somente por isso, que não prometo absolutamente nada aqui.
Desta forma, pode ser que eu seja enfadonha me repetindo, ou então mude de assunto de repente; posso fazer um post longo ou bem curtinho, da mesma forma como posso postar  apenas uma imagem, poesia, música ou tirinha e não escrever nada sobre, apenas compartilhar. Este será um blog livre e flexível.
Eu procuro um espaço para diálogos, exposições de ideias, coisas interessantes que eu encontro e ache interessante falar sobre. Por isso este blog. Por isso meu blog. Por isso caro leitor, quero que seja muito bem vindo a este blog, e que sejam bem vindas também suas idéias em relação a ele e ao que eu trouxer para cá. E assim caminharemos, conforme os ventos me levarem (e eu o levar também).

Muito prazer, meu nome é Laena  =)

Nota 1: Sobre o título do primeiro post: Qualquer semelhança com a autora, não é mera coincidência :) (música Dom Quixote - Engenheiros do Hawaii)

Nota 2: Sobre o título do blog:
Significado de Devaneio
s.m. Ação ou efeito de devanear.
Estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens: passar as horas em devaneio.
Resultado de sonhos, quimeras, fantasias, ficções.

 - é isto :)