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28 de junho de 2012

Geral merece Cícero!



Simplesmente porque geral merece Cícero! Esse moço faz aquele tipo de música que não tem muito como explicar, é daquelas que só se sente ouvindo. E eu senti que era o tipo de coisa que merecia vir para o blog (Se geral merece Cícero, porque meu blog não? Ora essa!). E por ser uma ótima forma de exemplificar, para quem ainda não soubesse, do que se trata as músicas do tipo "poesias cantadas" as quais falo ali no meu "Quem sou eu". É uma das bonitezas que se acha por aí, boniteza de se ouvir. 

Enfim, deleitem-se.
"Eu vou te acompanhar de fitas

Te ajudo a decorar os dias
Te empresto minha neblina
Vamos nos espalhar sem linhas
Ver o mundo girar de cima
No tempo da preguiça
Mas tudo bem

O dia vai raiar
Pra gente se inventar de novo"
(Tempo de Pipa - Cícero)

25 de junho de 2012

Que tipo de professores/educadores estamos formando?

Navegando pela internet hoje, verificando e-mails, notícias e afins, me deparei com a seguinte manchete no G1: Professora sugere que pais usem cinta e vara para educar aluno
Minha primeira reação foi o espanto. Claro! É um tipo de notícia por mais corriqueira que tem sido ultimamente, é algo que nunca esperamos ler. Pelo menos eu, na imensa fé que ainda tenho no ser humano, não espero. 
Pois bem, mas passado o primeiro "susto", parei para refletir sobre o assunto: Que professores são esses que estamos ajudando a formar neste país? Que educadores são esses que sugerem agressão contra uma criança?
E assim, neste movimento de indignação continuei a ler o artigo, e conforme dou andamento a leitura minha indignação só faz aumentar e me fazendo questionar cada vez mais: é essa educação que queremos dar para o "nossos futuros"? É o que esperamos para estas crianças que, amanhã, estarão no poder, na política e nas escolas? É isso que queremos que eles aprendam? Que raio de educação é esta que deseduca?
E então, me lembrei de um livro que estou lendo que se chama Filosofia para a Formação da Criança da Paula Ramos de Oliveira (excelente, diga-se de passagem), que já no primeiro capítulo problematiza diversas questões do nosso sistema de educação atual, dentre estas, ela apresenta sua percepção desta educação que deseduca, com pode ser observado no trecho a seguir: "(...) vemos que a concepção positivista da educação explicita suas mazelas por um fazer pedagógico que muito mais deseduca do que educa: trata-se da deseducação travestida, fantasiada de educação."¹
E foi com esta citação em mente que continuei a ler o texto do G1. E lá diz que professora sugere as tais varadas e cintadas para educar o garoto, pois ele tem apresentado comportamentos inadequados em sala de aula. Só de ler a palavra "inadequado" outra enxurrada de perguntas, questionamentos e indignação tomaram conta do meu balãozinho do pensamento: comportamento inadequado? Inadequado para quem? O que é ser adequado em sala de aula? E se é, é adequado para quem? 
Todas essas questões (e mais algumas) perpassam toda minha formação enquanto futura psicóloga e deveria, caso não aconteça, fazer parte da formação de pedagogos. Questionar. Questionar sempre. Parar de agir sem antes pensar no "que" e "como" fazer/falar/agir. Penso que, para além de lutar por melhores condições de salários e melhores remunerações para os professores, temos também que lutar para melhor qualidade dos cursos de Pedagogia do país. 
Esta professora, está agindo desta forma não é porque ela é uma pessoa má, uma pessoa ruim e que nasceu assim e vai ser para sempre assim (como a Gabriela). Não. Ela está assim e se está assim, é porque em algum momento na vida dela ela aprendeu a agir assim. Provavelmente em algum momento da vida dessa educadora, ela aprendeu que o jeito de lidar com uma criança é silenciando e humilhando. 
A culpa não é dela, a responsabilidade pelos atos sim, mas a culpa não. A culpa é de um sistema educacional defasado. Sistema que tem apenas o interesse de manter o status quo  e que faz com que, ao longo de toda vida de um sujeito este, saia  da escola sem aprender o que realmente importa: respeito e pensar. E que quando este, decide, por ventura, ser professor, em seu curso universitário nada muda. Continuam com aulas estáticas, lineares, onde se buscam modelos e padrões e recusa as diferenças.
Não há reflexão, e se há, ainda é muito pouca. Não ensina-se a pensar, ensina-se a obedecer. E é contra isso que precisamos lutar. Contra essa educação que deseduca, contra essa formação que estimula a violência e a resolver as coisas no grito. Que ensina que é assim que se resolve as coisas, na base da "cintada" e "varada", ao invés de ensinar a questionar, a fazer perguntas, a negociar sentidos e, principalmente, a respeitar o outro, seja ele quem for.
E para começar a mudar este quadro, eu pego emprestada a citação de uma grande amiga minha, Carol, que defende a ideia de que devemos "sair da roda"², ou seja, quebrar esse circulo vicioso que o sistema insiste em nos afundar, como em areias movediças. Precisamos começar a mudar, pois como eu já disse, as coisas estão assim, mas elas não precisam ser para sempre assim, elas podem e devem ser mudadas.
E você poderia me perguntar: mudadas como? E eu, na humildade legítima da minha pouca experiência te digo: mudando com nossos pequenos comportamentos cotidianos, principalmente com crianças, começando por tratá-las como sujeitos de si, que têm voz e merecem respeito. E principalmente, agindo de forma diferenciada e consciente. Ao invés de gritos, conversas; ao invés de agressão física, questionamentos e construção conjunta de sentidos. Criando mudanças principalmente nas escolas, precisamos de escolas que eduquem, simplesmente. Ensinar a pensar e não a obedecer docilmente sem refletir sobre, ensinar o respeito a partir do exemplo, ou seja, tratando com respeito. Precisamos começar de algum lugar a fazer deste país um lugar mais decente, e esse começo, eu acredito que seja pela educação.

E a grande Mafalda para ilustrar.

Ps: No momento, não pretendo nem entrar na questão da medicalização desta criança, que foi encaminhada a psiquiatras e psicólogos simplesmente por que a escola não tem feito seu papel. Teremos (muitas) outras oportunidades para discutir sobre isso. Infelizmente.

¹Oliveira, P. R. Filosofia para a Formação de Crianças. São Paulo: Pioneira Thompson Learning, 2004. p.4

² Este termo não foi usado exatamente neste sentido quando ouvi/li a Carol dizer, mas senti que coube neste contexto e fez muito sentido e por isso peguei emprestado.

"Muito prazer, meu nome é otário. Vindo de outros tempos, mas sempre no horário, peixes fora d'água, borboletas no aquário."




Alguns pensamentos  andam me cercando há alguns dias, dentre eles: Porque não fazer um blog? E aí, como de costume, vieram as enxurradas de outras perguntas que, quase sempre, acompanham minhas decisões (quando elas acontecem, é claro): Mas um blog para quê? Escreveria o quê nele?  E, pensando sobre elas, aos poucos, fui tentando responder essas perguntas, e fui chegando a algumas conclusões nem tão conclusas assim.
Atualmente, estou em um momento da minha vida, do qual eu não previa, mas temia, (apesar de entender a necessidade e importância):  a greve na educação que chegou à minha universidade (assim como em outras 54 Universidades Federais do país.) Digo que temia, pois, estando no lugar de uma universitária que terminava seu penúltimo período do curso (sim, eu me formaria no final do ano), esta ideia me parecia bastante assustadora, mas agora, de alguma forma, já superei isso, aceitei e apoiei a causa e agora luto e espero (do verbo esperançar  de Paulo Freire) que tudo se resolva da melhor forma possível.
Enfim, estando eu, nesta circunstância, ultimamente tenho tido mais “tempo” para ler certas coisas que eu acabava deixando de lado, por não ter tempo hábil para ler, dentre as enxurradas de atividades acadêmicas ao longo dos semestres letivos. Entre estas leituras, encontram-se: outros blogs, textos acadêmicos e não acadêmicos, tirinhas, poesias e livros diversos que, no momento, vão de Adriana Falcão a Paulo Freire, com intervalos para algumas leituras virtuais de Manoel de Barros.
Logo, a partir destas leituras e algumas situações cotidianas, tenho refletido, divagado e dialogado com diversos temas que têm me dado vontade de falar mais sobre eles, e até então eu não tinha um espaço específico para isso (já que minhas redes sociais já não eram suficientes), foi então daí que começou a surgir a idéia: por que não um blog? Afinal, este seria um bom espaço para exercitar a minha escrita, organizar meus pensamentos e falar de coisas que me derem vontade.
Mas aí me veio um fantasma que, acredito eu, acompanha muitos blogueiros (ou não, vai ver isso é neura minha mesmo): a exposição. Será que consigo lidar com ela? Será que vai ser “tudo bem” para mim escrever coisas que o mundo (exagerada, sempre!) poderá ler, me julgar e criticar (positiva ou negativamente)? Acredite,  isso não costuma ser nada tranquilo para uma pessoa que costuma se importar até demais com a opinião alheia sobre si, mas sendo eu, alguém que também  está seriamente disposta a mudar esta situação, talvez um blog fosse um bom começo. Então decidi, aqui está ele.
Portanto, com decisão tomada e blog feito, creio que devo esclarecer algumas cositas para quem sentir vontade de lê-lo, como, por exemplo, neste blog não haverá muitas regularidades, será sempre um blog em construção (assim como sua dona e seu sub título), sendo assim, não prometo temas, dilemas ou conclusões específicas. Falarei, ou melhor, escreverei por aqui o que me der na telha e, quando me der na telha, isso é uma informação importante, pois, apesar do blog se chamar “devaneiosmeusdecadadia” isso não pretende ser uma regra, assim como meus próprios devaneios não são.
Acontece não quero me sentir presa a uma ferramenta que estou criando para devaneios, divagações e diálogos recorrentes entre mim e o mundo, conforme eles vão acontecendo. Não quero me sentir presa a algo que estou criando como uma forma de libertação de mim mesma, da minha escrita e das minhas ideias. Por isso, e somente por isso, que não prometo absolutamente nada aqui.
Desta forma, pode ser que eu seja enfadonha me repetindo, ou então mude de assunto de repente; posso fazer um post longo ou bem curtinho, da mesma forma como posso postar  apenas uma imagem, poesia, música ou tirinha e não escrever nada sobre, apenas compartilhar. Este será um blog livre e flexível.
Eu procuro um espaço para diálogos, exposições de ideias, coisas interessantes que eu encontro e ache interessante falar sobre. Por isso este blog. Por isso meu blog. Por isso caro leitor, quero que seja muito bem vindo a este blog, e que sejam bem vindas também suas idéias em relação a ele e ao que eu trouxer para cá. E assim caminharemos, conforme os ventos me levarem (e eu o levar também).

Muito prazer, meu nome é Laena  =)

Nota 1: Sobre o título do primeiro post: Qualquer semelhança com a autora, não é mera coincidência :) (música Dom Quixote - Engenheiros do Hawaii)

Nota 2: Sobre o título do blog:
Significado de Devaneio
s.m. Ação ou efeito de devanear.
Estado de espírito de quem se deixa levar por lembranças, sonhos e imagens: passar as horas em devaneio.
Resultado de sonhos, quimeras, fantasias, ficções.

 - é isto :)