Pesquisar este blog

7 de agosto de 2012

Mudando paradigmas na Educação...

Quem me conhece sabe que tenho um interesse genuíno pela educação e por suas potencialidades. Quando criança,  sonhava em ser professora, mas aí quando cresci decidi fazer psicologia, porém a educação sempre caminhou ao meu lado na universidade, apesar de muitas decepções ao longo da graduação, sempre acreditei na potência que a escola tem para a formação da pessoa como sujeito crítico e ativo.
De alguma forma, ingenuamente, eu acreditava que essa escola que temos hoje (com o modelo educacional atual), essa mudança seria possível de ser feita. Não que eu não acredite que não seja de alguma forma possível, afinal existem muitas pessoas boas trabalhando em escolas que se esforçam muito para que a escola realmente cumpra seu papel na sociedade e forme sujeitos pensantes. Porém, a maioria esmagadora ainda faz o oposto, cria sujeitos modulados, rotulados e "educados" para um mundo que oprime e reprime. Eis que estamos em um círculo vicioso: a escola modula a pessoa para uma sociedade que mantém a escola moduladora.
Por essas e outras que ao longo de discussões, práticas e leituras sobre o assunto, cheguei a conclusão que para que a escola tenha êxito em formar sujeitos pensantes é necessário que ocorra uma verdadeira Reforma Educacional, penso que deva ser algo ao estilo Escola da Ponte, com mudanças radicais na estrutura e na forma de produzir e lidar com o currículo escolar. Uma escola que não vise formar pessoas para uma sociedade opressora, mas que mantenha a criatividade e forme sujeitos que possam trazer mudanças para essa sociedade. Utopia? Talvez. Mas encontrei no mundo real e cibernético outras pessoas que pensam como eu e estão fazendo apontamentos e chamando a atenção da sociedade para o que está naturalizado em relação a educação.
Encontrei um blog que propõe, além de uma educação diferenciada da que temos atualmente, educar crianças fora da escola, essa escola que castra criatividade, imaginação e a infância e simplesmente modula. E foi neste blog que encontrei o vídeo que vou postar agora. Um vídeo imprescindível para quem se interessa de alguma forma pela educação e acredita que precisamos de mudanças para que a sociedade de fato mude. Ele, é de um especialista em criatividade e educação e nos mostra quais mudanças que devem ser feitas na educação, que ele acredita que "mate" a criatividade.


E aí que eu me pergunto, é possível mudar a sociedade com a educação? É realmente possível obter mudanças eficazes para a sociedade com este sistema educacional que temos hoje? São as perguntas que não querem calar em meus devaneios...


" (...) A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas _e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre. Os olhos não gozam... Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, 
eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.
Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".
Por isso _porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver_ eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar "olhos vagabundos"

(Rubem Alves - A complicada arte de ver)

Nenhum comentário:

Postar um comentário