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4 de julho de 2012

Sobre sonhos e utopias...


Há tempos busco por meu lugar no mundo (este blog faz parte de uma destas tentativas). E este buscar, significa encontrar meu nicho, algo com que faça sentido com o que penso e acredito. Um lugar onde eu possa ser o que quero ser e não o que o mundo quer que eu seja. Um lugar onde o que eu penso, sinto e acredito sejam respeitados.
O título do meu primeiro post sobre "peixe fora d'água, borboletas no aquário" tem um pouco haver com isso pois, muitas vezes é como eu me sinto nesse mundão de meu Deus, uma pessoa fora do lugar, ou então um lugar fora da pessoa. 

Pois, pense comigo: alguém simpatizante de esquerda, que acredita nas pessoas e em suas capacidades de serem mais do que elas são, principalmente quando há mediação de outros; que não acredita em situações postas e dadas como imutáveis e  enxerga a importância do contexto histórico na vida de qualquer sujeito; que acredita que a ciência não tem a verdade/sabedoria absoluta do universo e que outros conhecimentos acrescentam tanto quanto ela; que acredita na importância de estar atento ao outro de forma genuína, respeitando-o em suas escolhas; que acredita no poder da conscientização e da dialética da vida, uma vez que construímos nossos caminhos a cada dia; e principalmente, que acredita que, para que esse mundo comece a ser um pouquinho melhor, basta apenas começarmos a olhar mais para as pessoas e menos para as coisas (e seus valores).
Pessoas assim, na maioria das vezes são apontadas como sonhadoras, românticas e utópicas. E talvez eu seja tudo isso mesmo (e mais um pouco). Mas, há de concordar comigo que, não é tão simples quanto parece, para alguém que pense desta forma, conseguir se "encaixar" em um sistema, em que o que se prega justamente o contrário. É difícil ser o peixinho que rema contra a maré. Uma maré grande e assustadora. É difícil, mas não impossível. Não é impossível, quando não estamos sozinhos, quando somos cardumes.
E por isso que, espero encontrar um espaço em que eu possa dizer o que penso e ser respeitada por isso. Que seja possível travar discussões (inclusive de ideias contrárias) e que todos possam crescer com isso, sem que discussões virem verdadeiras guerras ideológicas. Busco por um lugar mais tolerante e flexível, que incentive as diferenças e não as discrimine.
Um lugar onde as pessoas possam ser o que elas desejam ser. E que as crianças ainda tenham espaço para imaginar e sonhar.
Busca constante por mais arte e mais  experiências estéticas. Onde seja possível suspender os sentidos e parar para refletir.
Lutar por uma sociedade que pense mais e obedeça menos, que escute mais e julgue menos, que se conscientize mais e acate menos, que viva mais e exista menos.
Sonhos? Utopias? Talvez. Mas eu acho tudo isso um motivo bom o bastante para se lutar:  lutar pela arte da vida e por mais arte na vida.
E como uma forma de resumir e finalizar artísticamente tudo isso que estou dizendo, posto aqui o poema de um grande amigo e colega de profissão, Diogo Rezende, e posso dizer que o incluo neste cardume que sei que existe, de pessoas que ainda acreditam em algo melhor do que temos hoje.
Coloco este poema, pois se encaixou feito luva com este texto e também com o que espero e acredito.
Eu gosto particularmente disto, da forma como a arte diz, de um jeito muito mais orquestrado, tudo aquilo que gostaríamos de dizer.

Considerações profissionais


quando crescer quero ser ninguém

ser um grande nada

nadar sem pressão atmosférica

galgar alcançar o vácuo
e sempre ter a sensação de vazio.
completude não completa.

vou viver de poesia
e a poesia sim,
vai transformar o vil metal
em gotas de pano
que pingam em meus olhos,
e me vendam para a vida privada
mas imputam cores macias
para deliciosas e imprevistas possibilidades.

vou ser um ser humano profissional
técnico do amor
especialista em minha amante
doutor em compartilhar risadas no escuro do quarto
phd em carinhos e carícias no monótono domingo.

quero ser uma pessoa em espiral
que sobe em círculos rumo a felicidade
a ovelha utópica desgarrada,
rasgada
que vai deixar de servir o servente
e mostrar que praias e temperos
não são nada sem o tato,
só o tato faz ver e sentir o gosto da vida.

o paladar. o mar.
uma pitada de sal.



E assim finalizo, dizendo que quero continuar sendo a ovelha utópica desgarrada, rasgada.


* Tradução da foto: Não tenho medo que o mundo acabe em 2012... tenho medo que ele continue sem mudar nada.

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